sexta-feira, 28 de março de 2014

Brasileiro cria microssensor para estudar sumiço de abelhas no mundo

Cientista lidera equipe em laboratório localizado na Tasmânia.
Morte de abelhas ainda é mistério; uso de pesticida é provável causa.

Por Eduardo Carvalho / G1, São Paulo

Um brasileiro que vive na Austrália pode ajudar, com sua pesquisa, a responder uma das questões mais intrigantes do mundo científico atual: por qual motivo as abelhas estão sumindo em várias partes do planeta?
Paulo de Souza, físico de formação, é o pesquisador líder da área de microssensores da Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Austrália, conhecida pela sigla Csiro. Baseado na Tasmânia, desde setembro passado ele acompanha um experimento com o intuito de determinar o que tem impactado a vida desses insetos.
Souza foi responsável por desenvolver um sensor, com tamanho de 2,5 por 2,5 milímetros e peso de 5 miligramas, que é colocado nas costas dos insetos. Ele funciona como um "crachá de identificação", pois transmite dados e registra o que acontece com o inseto.
O objetivo do microaparelho é acompanhar passo a passo os movimentos de 5 mil abelhas, examinando a polinização feita por elas e sua produção de mel. Cada um deles custa cerca de R$ 0,63.
Entre as causas listadas como responsáveis pelo sumiço de abelhas estão o uso excessivo de pesticidas, excesso de parasitas que afetam esses insetos, poluição do ar e da água, além do estresse causado pelo gerenciamento inadequado das colmeias.

Importância

A mortalidade de abelhas ao redor do planeta ameaça ambos os processos. Entre as possíveis causas já listadas estão o uso excessivo de pesticidas, como os neonicotinoides, excesso de parasitas que afetam esses insetos, poluição do ar e da água, além do estresse causado pelo gerenciamento inadequado das colmeias.
Investigar essas e outras hipóteses é importante, porque pode evitar um possível caos ambiental. O declínio, de acordo com o pesquisador, põe em risco a capacidade global de produção de alimentos.
Para se ter ideia, segundo a Organização das Nações Unidas, os serviços de polinização prestados por esses insetos no mundo – seja no ecossistema ou nos sistemas agrícolas -- são avaliados em US$ 54 bilhões por ano. Além disso, 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por alguma espécie de abelha.
Somente na Austrália, local dos testes, cerca de 17% de todo o alimento plantado no país, como as frutas, nascem graças à polinização feita tanto por abelhas domesticadas, quanto por espécies selvagens.

Experimento com pesticidas

Para implantar o sensor nos insetos, os pesquisadores adormecem as abelhas ao colocá-las na geladeira a uma temperatura de 5ºC. Depois, usam uma supercola para fixar o microssensor. De acordo com Souza, o miniequipamento não atrapalha o voo.
Os testes na Tasmânia são feitos com quatro colmeias. Duas vivem no ambiente natural da região, que é considerada uma das menos impactadas pela poluição do ar e da água.
Elas estão a um quilômetro de distância de outras duas colmeias, que recebem constantemente pequenas doses de agrotóxicos neonicotinoides no alimento (que tem origem na molécula de nicotina).
Esses defensivos agrícolas já foram banidos em alguns países por suspeita de intoxicar as abelhas, em um fenômeno chamado de “distúrbio do colapso das colônias”, quando os insetos não retornam às colmeias e morrem após o corpo sofrer um "curto-circuito" possivelmente devido à excessiva exposição a determinados compostos químicos.
De acordo com Souza, os primeiros resultados do teste mostraram que as abelhas com sensores que tiveram contato com os defensivos demoravam mais para voltar à colmeia – ou nem voltavam. “Os neonicotinoides alteraram o comportamento delas”, disse Souza.
A meta do brasileiro, que lidera uma equipe com outros 13 profissionais, é desenvolver um sensor de 1,5 milímetro até o fim deste ano. Em quatro anos, o tamanho atual deve diminuir em 20 vezes, de forma que será implantado na abelha com a ajuda de um spray.
Testes no Brasil
Ainda no segundo semestre deste ano, a investigação atravessa o oceano e troca de continente. As abelhas do Brasil serão o alvo da pesquisa, principalmente as que vivem na Amazônia.
De acordo com Souza, o estudo será feito em parceria com o Instituto Tecnológico Vale, um dos braços da mineradora Vale que é voltado ao desenvolvimento sustentável.
Serão implantados entre 10 mil e 20 mil sensores nos insetos para saber se há algum tipo de impacto negativo que influencie a polinização das abelhas.



Fonte: www.g1.globo.com

sábado, 3 de novembro de 2012

IDEIAS DE NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS

Uma academia, um salão de beleza ou uma papelaria? Durante a Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada de 13 a 22 de junho no Rio de Janeiro, o Sebrae vai apresentar aos participantes iniciativas com foco nesse tema. É o caso das 20 Ideias de Negócios Sustentáveis, que reúne informações, orientações e dicas essenciais para quem pretende abrir uma empresa ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável.
 
“Hoje, produtos sustentáveis representam um importante nicho de mercado. No futuro próximo, será mais do que um nicho; será padrão exigido pelos consumidores. Há muitas oportunidades de negócios a explorar”, avalia o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
 
Criado em 2007, o espaço que reúne as Ideias de Negócios aparece entre os links mais acessados do Portal Sebrae. Com média de duas mil visitas por dia, o endereço virtual traz informações úteis a quem pensa em se dedicar ao empreendedorismo.
 
Com ênfase no desenvolvimento de atividades sustentáveis, as 11 ideias que já estavam no catálogo foram atualizadas e mais nove, criadas. Sugestões para lavanderia, pousada, indústria de reaproveitamento de resíduos, organizadora de eventos carbono neutro e carpintaria verde fazem parte da lista.
 
“Essas ideias resultam de pesquisas e trazem orientações sobre questões referentes ao espaço físico adequado, número de empregados, equipamentos principais e valor do investimento, dentre outras. Têm a finalidade de estimular os empreendedores brasileiros a considerarem práticas sustentáveis como algo fundamental para que seus negócios se desenvolvam”, destaca o diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos.
 
De acordo com o viés de sustentabilidade da Rio + 20, o pacote de informações ficará disponível apenas em formato digital, para evitar consumo e desperdício de papel. Os visitantes da conferência poderão consultar o material por meio de tablets, no espaço da Feira do Empreendedor Rio +20, que será montado no Parque do Flamengo, Zona Sul do Rio. Os conteúdos também serão incorporados ao Portal Sebrae.
 Negócios Sustentáveis:
 
• Lavanderia
• Pousada
• Fábrica de Cerâmica
• Fábrica de Embalagens Ecológicas
• Fábrica de Aquecedor Solar
• Restaurante Natural
• Lava-Jato
• Produção de Biojoias
• Hotel Fazenda
• Reciclagem de lixo eletrônico
• Gráfica
• Fábrica de Cosméticos Ecológicos
• Indústria de Pavimento Ecológico
• Fábrica de Calçados Ecológicos
• Retífica Ecológica
• Indústria de Reaproveitamento de Resíduos
• Coleta e Reciclagem de Resíduos da Construção Civil
• Carpintaria Verde
• Fábrica de Conservas
• Organizadora de Eventos Carbono Neutro
 
FONTE: AGÊNCIA SEBRAE

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dicas para ser ecologicamente correto:

1-Jamais jogue lixo no chão.

2-Somente jogue no lixo aquilo que nao pode se reutilizado ou reciclado.

3-Prefira embalagens retornáveis.

4-Ao redigir use papel dos dois lados.

5-Edite texto na tela do computador e evite impressões desnecessárias.

6-Não piche monumentos e paredes.

7-Embrulhe materiais cortantes antes de colocá-los no lixo para evitar acidentes com os garis.

8-Não queime o lixo.

9-Matenha limpos os parques e praças da cidade.

10-Nao jogue lixo em lotes vagos, encostas, bueiros, canaletas e córregos.

11-Ao construir ou reformar, leve o entulho aos locais apropriados.

12-Nao deixe material de construçao e entulhos espalhados no passeio.

13-Respeite os dias e horários de coleta de lixo.

14-Nao jogue lixo pelas janelas dos veículos.

15-Acondicione corretamente o seu lixo.

16-Plante uma árvore.

17-Cuide das áreas verdes de seu bairro.

18-Mantenha seu lote limpo, murado e com passeio.

19-Apague a luz sempre que sair de um recinto. Evite desperdício de energia elétrica sempre. Se possível instale receptor de energia solar em casa.

20-Separe vidro, papel, metal e plástico e leve esse material aos locais de entrega voluntária de coleta seletiva, caso exista usina de reciclagem.

21-Evite excesso de embalagens, principalmente as de plástico.

22-Adiquira produtos reciclados, recicláveis, reutilizáveis e que possam ser consertados.

23-Evite os descartáveis.

24-Na hora da comprar pense sempre no supérfluo, no desperdício e no tamanho que o seu lixo vai ficar.

25-Restos de comida,cascas de frutas e legumes e folhas de podas podem virar adubo para suas plantas.

26-Mantenha limpa as calçadas em frente à sua casa ou estabelecimento comercia.l

27-Cuide para que as bocas de lobo não fiquem entupidas com lixo.

28-Não demore no banho, não durma com a televisão ligada. Economize energia

29-Evite lavar constantemente o carro.

30-Evite comprar móveis de madeira, mas caso nao resista, tenha somente móveis de madeiras reflorestadas ou com o selo de garantia de extração legalizada.

31-Separe as pilhas recarregáveis ou nao, além das baterias, principalmente as de celulares e coloque em recipientes metálicos devolvendo quando possível as distribuidoras de sua cidade.

32-Quando for construir evite gastar o mínimo de cimento, aproveitando áreas com terra para plantar.

33-Evite fumar, principalmente em locais fechados.

34-Quando sair à noite, evite lugares muito iluminados. Nao se esqueca que existe tambem a poluiçao luminosa.

35-Recuse aerosóis ou qualquer produto que contenha CFC. Esse gás destrói a camada de ozônio que protege a terra dos raios ultra violetas, radiações responsáveis pelo câncer de pele.

36-Opte por remédios caseiros.

37-Denuncie aos orgãos competentes que existem em sua cidade, empresas ou pessoas que estejam emitindo poluição, seja ela sólida, líquida, gasosa, visual ou sonora, sem o mínimo controle.

38-Prefira alimentos cultivados sem agrotóxicos: Mais saudáveis, não poluem o solo e a água.

39-Se for necessário utilizar algum tipo de agrotóxico em sua propriedade, opte pelos agrotóxicos naturais, como o fumo. Caso não seja possível, procure se proteger da forma indicada.

40-Vote em candidatos sérios que tenham um plano de governo direcionado para o meio ambiente.

41-Exija do prefeito a instalação de uma usina de reciclagem em sua cidade. A usina, além de contribuir para o meio ambiente, emprega pessoas, educa a população e consegue lucros com a venda dos plásticos, dos papéis, das latas, dos humus proveniente da compostagem do lixo orgânico, etc.

42-Abrace uma árvore, ande descalço, sinta a força da terrra!!!

43-Olhe, admire e respeite a mãe natureza.
 

Fonte:  www.alerta.org.br   e  www.amigosdanatureza.net

sábado, 31 de março de 2012

"Os vegetais avisam" por Geraldo Hasse

" O prezado leitor está prestando atenção? Este ano as paineiras floriram bem mais cedo. Algumas, na segunda quinzena de fevereiro, o que configura um recorde espantoso para essa árvore acostumada a soltar suas flores em abril.

 “Também, com o calor desumano do último verão!”, dizem as pessoas, tentando explicar o fenômeno, mas sem conseguir aprofundá-lo.
 O tema é assaz complexo, está mais do que na hora de dar um passo à frente na análise da situação. Pois, sem dúvida, a elevação da temperatura ambiental acelera o metabolismo das plantas, fazendo com que cada ciclo vegetal seja antecipado.

Seguindo nesse ritmo, breve as paineiras estarão florindo em janeiro, os jasmineiros mudarão sua florada de novembro para agosto e assim por diante, até que se consume a inversão total das coisas.
 Chegará talvez o dia em que as frutas de verão estarão amadurecendo no inverno – com que qualidade não é possível antecipar, mas elas certamente serão chamadas de frutas da desestação. Ou antifrutas.

 Algumas dessas frutas anômalas já estão aí: bananas empedradas, laranjas com a metade do seu corpo tomado por células sem suco, como se os cítricos quisessem virar romãs; morangos com sabor de plástico; tangerinas sem sementes, o que certamente leva as árvores a se perguntar o que estão fazendo nesse mundo se sua missão natural, perpetuar a espécie, foi bloqueada para agradar os consumidores. 

 Essa deturpação da natureza das coisas é um grave sintoma da alienação que permeia o comportamento humano. Hormônios para crescer mais rápido, hormônios para evitar a concepção, hormônios para retardar a velhice: se a vida moderna rola sob o signo da manipulação dos códigos e dos ritmos, como nos defenderemos dos cânceres, infartos e tromboses que se sucedem aos processos de aceleração e de castração?

Já nos acostumamos com o fato de que as sementes híbridas valem apenas por uma vez e não servem para a propagação genética. Estamos nos familiarizando com o patenteamento das sementes transgênicas, mas os vegetais já estão avisando que desse jeito as coisas tendem a desandar irremediavelmente.
 
Se a temperatura média do globo terrestre subir de 2 a 4 graus até o ano 2100, como foi previsto pelo painel de mudanças climáticas da ONU, é provável que o mundo em que vivemos não fique de pé. Sobreviveremos?

 Sim, mas com baixas imensas provocadas pelas consequências do aquecimento global. Tsunamis, ciclones, nevascas, avalanches, enchentes, incêndios, cataclismas, aneurismas, hecatombes, apocalipses, o pagode tomando o lugar do samba, mulheres batendo o martelo na mesa, homens na frente dos espelhos ou recuando às cavernas, as vacas não reconhecendo os bezerros, as onças fugindo dos macacos e assim ao revés.

 Só não vê quem não quer: boa parte dos distúrbios da natureza é fruto dos exageros cometidos pelos humanos, a saber: empresários que não sabem a hora de parar, militares que exigem armamentos cada vez mais poderosos e políticos que perderam a noção de suas obrigações com as comunidades que os elegem. 

A presente crise econômica européia mostra que se esgotou o modelo de expansão ilimitada da produção material. Os dirigentes políticos e os líderes empresariais, unidos,  continuam pregando o crescimento econômico como sinônimo de progresso, mesmo estando claro que falta sustentabilidade ambiental para tamanho ritmo. Ainda não se aceita a ideia de que é possível elevar o bem-estar sem crescimento econômico.

Como disse o sociólogo francês Jean Baudrillard (1929-2007), já não estamos no crescimento, mas na excrescência. Estamos numa sociedade da proliferação, cujos efeitos se multiplicam com o desaparecimento das causas.

Essa desestruturação é uma loucura, lembra uma máquina que disparou e opera sozinha, sem controle. Um horror explícito no comportamento dos vegetais, uns acelerados pelas mudanças climáticas, outros turbinados pelo afã do lucro. É uma corrida que não vai acabar bem. "

Fonte:  Blog de Geraldo Hasse  (homenagem ao ótimo texto do autor mencionado)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aquecimento pode aumentar casos de tempestades violentas, diz estudo

Por causa do aquecimento global, a “tempestade do século” corre o risco de se tornar mais frequente, reduzindo sua ocorrência para décadas e até mesmo anos, segundo uma simulação feita na região de Nova York por cientistas americanos, divulgada.
Quando a tempestade tropical Irene varreu a costa leste dos Estados Unidos e do Caribe, em agosto de 2011, deixando dezenas de mortos e causando inundações maciças, muitos especialistas a qualificaram de “tempestade do século”, um evento meteorológico tão violento e tão raro que só ocorre, em média, a cada cem anos.
Mas climatologistas do Instituto de Tecnologia de Massaschussetts (MIT, na sigla em inglês) e da Universidade de Princeton avaliaram que o aquecimento global vai aumentar fortemente a frequência de catástrofes naturais como esta, que poderão ocorrer a cada três ou vinte anos, segundo seus cálculos.

Projeções – Estes cientistas combinaram quatro modelos climáticos para fazer uma simulação informática de tempestades recentes (de 1981 a 2000) e suas projeções no futuro (de 2081 a 2100) em um raio de 200 km no entorno de Nova York, criando um total de 45.000 tempestades virtuais.
Aquela que corresponde atualmente à tempestade do século provoca uma elevação do nível das águas de dois metros, em média, em Nova York. Até 2100, um evento como estes ocorreria a cada três ou vinte anos, segundo os resultados, publicados na revista científica britânica “Nature Climate Change”.
A cada 500 anos, em média, a região vive um episódio ainda mais intenso que provoca uma elevação de três metros no nível das águas. Até o fim do século XXI, esta frequência diminuiria para 25 a 240 anos, afirmaram.
Tanto em um caso quanto no outro, o mar inundaria facilmente os diques de Manhattan, que atualmente medem 1,5 metro, destacaram os estudiosos. (Fonte: G1)
Fonte: Ambiente Brasil 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Algo sobre a Natureza...

A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana
 Charles Darwin

Quem não é humilde por natureza, tem que ser humilde por esperteza
 Pedro Bial

SOLITÁRIO
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
 Não era esse que a carne nos contorta...
 Cortava assim como em carniçaria
 O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
 E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
 O pergaminho singular da pele
 E o chocalho fatídico dos ossos!
 Augusto dos Anjos

"Tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos."
 Maquiavel

Tudo o que nasce deve morrer, passando pela natureza em direção à eternidade.
 William Shakespeare

De que adianta ter olhos azuis se o verde na natureza insiste em deixa- los vermelhos .
 Bob Marley

A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50.
 Coco Chanel

Por mais dura que seja uma natureza, ela se fundirá ao fogo do Amor. Senão se fundir, é porque o fogo não é bastante forte.
 Mahatma Gandhi

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Bangcoc busca preservação das áreas verdes no centro da cidade (matéria com os devidos créditos)

As árvores de Bangcoc, que sobreviveram às transformações na capital da Tailândia, são atualmente um verdadeiro tesouro ambiental para os cidadãos que tentam evitar que as mesmas sejam devoradas pela selva de cimento que avança pela cidade.
A preocupação dos habitantes pela preservação das áreas verdes impulsionou a criação de inúmeras associações como a Fundação Sueb Nakasathien, Green World, Quiet Bangcoc e Big Trees Group, que passaram a realizar campanhas contra o desmatamento das árvores diante do assédio urbanístico.
"Nossa cultura e religião está muito ligada à natureza e, por isso, queremos defender nosso patrimônio", declarou à agência EFE Tawan Changtrakul, que estava sentado sob a sombra de um palmiteiro no templo Dhammamongkol, situado em pleno centro de Bangcoc.
A vegetação tropical do jardim deste templo é uma espécie de oásis na buliçosa avenida de Sukhumvit, onde os imensos prédios se alternam com edifícios de pouca altura e as calçadas existentes são frequentemente intransitáveis.
"Agora os moradores cobram mais das autoridades e das construtoras para que não destruam todas as árvores do perímetro urbano", acrescenta Tawan, um advogado de profissão.
Como em outros bairros, os moradores da comunidade próxima ao templo depositam oferendas ao lado dos troncos, decorados com guirlandas e flores, para honrar os espíritos protetores que, segundo a tradição local, habitam em seu interior.< p> Segundo dados das autoridades locais, em Bangcoc - uma metrópole de 7.761 km² de extensão -, há 5,7 milhões de árvores, incluídos as plantadas em seus 25 parques e as que sobrevivem nos milhares de becos conhecidos como "soi".
Muitas árvores tiveram que ser replantadas ou destruídas devido à galopante construção de shoppings, condomínios e linhas de trem, que corta algumas ruas desta congestionada metrópole de 12 milhões de habitantes.
Desde os anos 80, as construtoras inundam Bangcoc de concreto devido ao pouco planejamento urbanístico das autoridades, que até há pouco tempo não toleravam que a vegetação fizesse parte da nova paisagem urbana da capital.
Com a criação das associações de moradores, as construtoras agora passaram a ser vigiadas e conscientizadas para preservarem o meio ambiente. As autoridades locais, que já ouviram falar da tal mudança climática, também passaram a fiscalizar as construtoras de maneira mais enérgica.
"É necessário algum tipo de proteção legal das árvores no perímetro urbano, da mesma forma que existe uma lei para impedir o desmatamento", diz à agência EFE Waridtha Chiamchirakun, funcionária do Escritório dos Parques Públicos de Bangcoc.
Segundo Waridtha, a colaboração e a conscientização da população são necessárias para proteger as árvores das vias públicas. "As mais vulneráveis são as que estão em terrenos privados, que não podem ser fiscalizadas pelas autoridades como ocorrem em regiões de florestas e terrenos rústicos", acrescentou.
A maioria das árvores que foram retiradas para dar passagem a qualquer construção, segundo Waridtha, é replantada em zonas periféricas. Mas, esta solução também contribui para o desaparecimento das zonas verdes no centro da capital.

Em meados deste ano, o governo publicou um livro sobre as árvores centenárias e de grande tamanho que foram identificadas por meio de um concurso organizado junto com associações ambientais.
Esta iniciativa busca conscientizar o valor de espécies como uma figueira da Índia em uma filial do banco Siyam Commercial, eleita a mais valiosa.
As árvores cumprem uma função essencial para controlar os gases que provocam a mudança climática, tal como evidenciam as campanhas de reflorestamento das Nações Unidas inspiradas na Nobel da Paz, Wangari Maathai, falecida no último mês de setembro.
Além da degradação do terreno e da poluição, o mar também ameaça submergir Bangcoc nos próximos 20 anos. O acentuado afundamento do solo, causado pelos pesados arranha-céus, e a alta do nível do mar, por conta do aquecimento global, são os principais fatores para agravar esta previsão.
Fonte:   EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados.

sábado, 26 de novembro de 2011

Os três R’s da coleta seletiva de lixo


Reduzir, reutilizar e reciclar são os três R’s da coleta seletiva do lixo:

• Reduzir o consumo, pensar antes de comprar, avaliar as embalagens

que vão direto para o lixo. Para se ter uma idéia, 40% do

que compramos é lixo! Uma das principais causas do aumento

da quantidade do lixo é o desperdício.


• Reutilizar é transformar um material em uma outra coisa, dando-

lhe um outro fim. É comum a confusão entre reutilização e

reciclagem. Um exemplo de reutilização é a transformação de

garrafas PET em vassouras, cachepôs, “porta-trecos”, brinquedos.


• Reciclar significa transformar algo usado em algo novo, exatamente

igual ou do mesmo tipo, como, por exemplo, as latinhas de

alumínio que, ao retornarem para as fábricas, passam por um processo

de derretimento e são transformadas em novas latinhas.


A reutilização e a reciclagem não devem ser encaradas como

a solução para todos os males da poluição do planeta. O mais

importante é reduzir a quantidade de lixo produzida atualmente

e, para isso, cada um de nós tem um papel a cumprir.

Incentivar a reflexão de que as coisas não acabam quando as

jogamos fora, tampouco a nossa responsabilidade sobre elas,

é o grande desafio a ser vencido.

Nesse sentido, palavras não bastam, é preciso dar exemplo!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A importância das áreas de preservação permanente para a biodiversidade

Com o crescimento da população humana, muitas florestas perdem espaço para a agricultura. Consequentemente, a biodiversidade vegetal e animal diminui acentuadamente. A taxa de extinção das espécies, que era de 0,2% há pouco mais de 100 anos, hoje é de 23%, ou seja, aumentou mais de cem vezes. Isso pode trazer conseqüências catastróficas para a humanidade.

A água é essencial à sobrevivência de todos os seres vivos e sua produção e manutenção está diretamente relacionada à floresta. Precisamos entender melhor o papel das florestas e preservá-las porque nossa sobrevivência e de todos os outros seres vivos depende disso.
 
Existem evidências que as bacias hidrográficas da Região Nordeste (Bacia Hidrográfica do Nordeste, do São Francisco e Leste), onde há menor cobertura vegetal (Caatinga e Cerrado), são mais sazonais (variam mais entre as épocas de secas e das chuvas) que bacias melhor protegidas por florestas como a bacia Amazônica, em função da maior evapotranspiração e da recarga na bacia hidrográfica.
 
As florestas protegem o solo da exposição direta ao sol, evitando desta forma seu ressecamento, além de abastecerem os mananciais de água de forma mais lenta e regular, estabilizando o microclima.
 
As matas ciliares são formações vegetais que acompanham os cursos d’água, lagos ou represas, cumprindo importantes funções na manutenção do regime hídrico da microbacia hidrográfica, no sustento da fauna e na estabilidade dos microambientes. Outra função importante é o sombreamento dos rios, que permite a entrada de matéria orgânica e sementes utilizadas na alimentação dos peixes. A presença de mata ciliar impede ou dificulta o carregamento de sedimentos, além de bloquear a poluição química causada por agrotóxicos, que aumentam a infecção por ectoparasitos nos peixes e provocam mutações principalmente em anfíbios.
 
Em usinas hidroelétricas, isso pode fazer uma enorme diferença, porque os sedimentos são abrasivos e podem encurtar substancialmente a vida útil das turbinas. Além disso, o custo específico com produtos químicos nas estações de tratamento de água eleva-se com a redução do percentual de cobertura florestal da bacia de abastecimento. Desta forma, o tratamento de água em uma bacia bem protegida pela mata cilar custa aproximadamente de R$ 2,00 a R$ 5,00/1000 por m3 de água tratada, enquanto que em uma bacia desprotegida o tratamento pode custar de R$ 300,00 a R$ 500,00/1000 por m3. Nos EUA, o estado de Nova Iorque investiu em APP e para cada dólar investido, economizaram sete dólares no tratamento de água.
 
O entendimento da relação das florestas implantadas e a água é uma questão muito complexa e deve-se levar em consideração as múltiplas atividades antrópicas, tendo como unidade a microbacia. Deste modo, a floresta deve ser apreciada como uma atividade agrícola qualquer, que visa a produção de biomassa com intenção de obter algum lucro.
 
Além do consumo de água, devemos contabilizar a sua qualidade, o regime de vazão e a saúde do ecossistema aquático, incluindo uma visão mais abrangente sobre a relação do uso da terra, seja na produção florestal, agrícola, pecuária, abertura de estradas, urbanização, enfim, toda e qualquer alteração antrópica na paisagem e na conservação dos recursos hídricos.
 
Quem sabe assim, a sociedade acabará percebendo que uma possível diminuição na quantidade de água, degradação hidrológica qualquer causando sua deterioração, não está somente nas florestas implantadas mas em uma infinidade de outras atividades antrópicas.

A legislação atual preconiza que a mata cilar seja feita com base e a partir da cota máxima do rio, enquanto que a nova proposta é pela cota mínima. Isso é muito preocupante, já que os córregos, que perfazem aproximadamente 90% dos rios brasileiros, desaparecerão em função da retirada da mata ciliar. O Brasil possui 17% da biodiversidade mundial de anfíbios, que vivem preferencialmente nestes córregos de dimensões menores. Isso causará a extinção de várias espécies de anfíbios e na maioria dos peixes (pexies pequeño e médios principalmente, que passam toda sua vida nesta zona do rio) além dos répteis - menos o jacaré, a jibóia e a sucuri, já que os demais também preferem riachos.
 
Os peixes pequenos, de até 15cm e médios - de 16 a 30cm são reofílicos, isto é, necessitam do ambiente lótico para completarem o seu ciclo de vida e ocorrem em abundância nos trechos de rios com fundo de rochas, tanto nas calhas como nas porções mais elevadas dos afluentes. Destacam-se os cascudos, timburés e cambevas. O peixes grandes - maiores que 30cm, embora ocupem as zonas lacustres (rios ou represas de maior profundidade e normalmente com leito arenoso), se reproduzem nos riachos menores. A prática da nova legislação afetará todas as espécies de peixes também.

O Brasil é o país de maior biodiversidade do Planeta. Foi o primeiro signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica e a agenda 21, que preconiza desenvolvimento sustentável, isto é, preservação da natureza ou exploração racional. É considerado megabiodiverso – país que reúne ao menos 70% das espécies vegetais e animais do Planeta. Possui a flora mais rica do mundo, com até 56.000 espécies de plantas superiores, já descritas, acima de 3.000 espécies de peixes de água doce, 517 espécies de anfíbios, 1.677 espécies de aves, 518 espécies de mamíferos e pode ter até 10 milhões de insetos.

Somente no campo medicinal, há na Floresta Amazônica 1.300 diferentes vegetais com reconhecido valor terapêutico. Nas florestas tropicais asiáticas, onde as civilizações atingiram maior desenvolvimento, este número é pelo menos dez vezes maior, embora a floresta deles seja menor que a nossa. Atualmente, 25% dos remédios que o homem utiliza nos países desenvolvidos possuem elementos retirados das florestas tropicais, porcentagem em progressivo crescimento.
 
Pesquisas recentes demonstram que problemas de saúde podem ser solucionados com auxílio de componentes retirados das matas tropicais. Encontram-se catalogados pelo menos 1.400 vegetais com substâncias anticancerígenas. Uma pequena planta das florestas de Madagascar, ameaçada de extinção, aumentou as chances de sobrevivência de crianças com leucemia de 10% (1960) para 90% (1980).

Estima-se que 75% das drogas derivadas de plantas em utilização no mundo, movimentando um mercado de aproximadamente US$ 43 bilhões, foram descobertas a partir da indicação de populações tradicionais.

Recentemente o Instituto Butantã descobriu um único composto retirado da jararaca (Bothrops sp.) que é usado na fabricação do Captopril - anti-hipertensivo que gera aproximadamente cinco bilhões de dólares anuais para a indústria farmacêutica.

Isso mostra que a floresta e sua biodiversidade tem enorme valor econômico, precisamos apenas saber explorá-la. Não podemos perder esse patrimônio por ignorância. Preservar, estudar, conhecer e explorar, social, econômica e ecologicamente é a melhor alternativa. Somos o país da megabiodiversidade, o mundo inteiro nos explora (biopirataria) e nós queremos destruir nosso patrimônio.

 
*Por   Laerte Scanavaca Júnior é engenheiro florestal, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Ainda é baixa a disposição dos consumidores brasileiros mais conscientes para mobilizar a coletividade,mas é considerável sua disposição de divulgar os produtos das empresas responsáveis." (Instituto Akatu)

A vanguarda dos consumidores informados e ativos no exercício do consumo consciente ainda tende a cuidar mais dos seus próprios atos do que a agir em prol da mobilização social, e também prefere ser mais propositiva a ser punitiva em relação às empresas. Mais gente se dispõe a comprar produtos para incentivar as empresas responsáveis do que a deixar de fazê-lo para punir as irresponsáveis. As evidências sugerem que as empresas brasileiras deveriam dar mais atenção às ações que contribuem para construir sua reputação do que à simples propaganda.

Realizada em janeiro de 2005 entre 600 consumidores previamente definidos como "mais conscientes" segundo metodologia de segmentação do Instituto Akatu – 300 em São Paulo, 150 em Porto Alegre e 150 em Recife, representantes de 43% da sociedade brasileira – a pesquisa "Consumidores Conscientes: o que pensam e como agem" baseia-se num questionário sobre 20 temas selecionados como "eixos pedagógicos", com quatro perguntas para cada um, num total de 80 questões. O detalhamento da percepção dos entrevistados configura-a como ferramenta de avaliação capaz de aferir o estado e o progresso das práticas do consumo consciente no Brasil. Das 80 questões, 37 tratam de valores e opiniões e 43 abordam comportamentos e atitudes, distinção necessária uma vez que não é raro um consumidor declarar-se favorável a uma idéia, mas não traduzir esse apoio em ações concretas. De fato, registra-se mais adesão a valores (70% de respostas positivas), do que a comportamentos (58% de respostas positivas).

Em termos de comportamento prático, as respostas obtidas configuram a existência de um bloco de "grandes adesões" (configurado por respostas positivas de mais de 80% dos entrevistados), um bloco de questões de "baixa assimilação" (com respostas negativas de mais de 35% dos entrevistados) e um bloco de questões "polêmicas" (com alto grau de indefinição, representado por mais de 40% de respostas indefinidas, ou por percentuais de respostas positivas e negativas muito próximos entre si).

As "grandes adesões" configuram, em geral, comportamentos "de eficiência", associados a uma economia no uso de recursos, perceptível ao consumidor a curto prazo. Assim, entre os entrevistados:

• 98% evitam deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados.

• 97% desligam aparelhos eletrônicos quando não estão em uso.

• 96% manifestam disposição de recorrer a órgãos de defesa do consumidor.

• 95% fecham a torneira quando escovam os dentes.

• 94% esperam que os alimentos esfriem antes de guardar na geladeira.

• 90% participaram ativamente do esforço contra o "apagão" de energia.

• 85% escolhem escolas considerando a qualidade e o sistema de ensino.

As questões onde encontramos uma destacada "baixa assimilação" entre os consumidores "conscientes" e "comprometidos" são, em sua maioria, relacionadas especificamente às decisões de compra.

• Uma parcela muito significativa desse público ainda não condiciona, com freqüência, suas decisões de compra a considerações sociais ou ambientais, principalmente se para isso houver dificuldades como preço mais elevado ou dificuldade de informação (caso dos orgânicos e das madeiras certificadas).

• Por outro lado, nos casos onde essas dificuldades são menores (caso de benefícios genéricos ao meio ambiente ou uso de reciclados), parcelas maiores desse público já declaram usar estes critérios de escolha com freqüência.

• A relutância em apresentar denúncias a ONGs ou agências do governo também existe em grande parte desse público.

Revela-se, por exemplo, que:

• 58% não compram produtos orgânicos;

• 53% não verificam a certificação de produtos madeireiros ou florestais;

• 42% não fizeram recentemente alguma compra tendo o meio ambiente como primeiro critério;

• 40% não denunciam fontes de poluição;

• 37% não fizerem recentemente compras de produtos reciclados;

Entre as "questões polêmicas", com alta margem de indefinição, três grandes tendências podem ser identificadas. A primeira, quanto ao uso deliberado do poder de compra para influenciar empresas.

Nesse aspecto, o público pesquisado se mostra ainda dividido: o percentual dos que fazem isso "sempre" é bem próximo ao dos que não o fazem "nunca" e, em geral, o maior percentual é dos que fazem isso apenas "às vezes". Embasando essas conclusões temos que

• 28% freqüentemente deixam de comprar produtos por punição, 28% raramente ou nunca deixam, 43% o fazem eventualmente.

• 37% freqüentemente praticam e incentivam a consumo de "produtos responsáveis", 21% não o fazem, 42% o fazem eventualmente.

• 36% freqüentemente incentivam pessoas a comprar produtos de empresas responsáveis, 19% não o fazem, 45% o fazem eventualmente.

• 41% têm o hábito regular de divulgar empresas que consideram socialmente responsáveis, enquanto 37% não o fazem, e 22% o fazem eventualmente.

A segunda tendência, que também emerge das questões acima, mostra que há uma aparente preferência dos entrevistados em incentivar as empresas responsáveis consumindo seus produtos e divulgando-as. É menor o percentual dos que declaram cancelar o consumo como forma de punição a empresas irresponsáveis. A idéia de que os consumidores são mais ativos para criticar uma empresa que os decepciona do que para elogiar uma empresa que os satisfaz, pode ser válida para a satisfação pessoal, mas aparentemente não o é para o engajamento em prol de causas coletivas.

A terceira grande tendência identificada através das questões "polêmicas" diz respeito à relativamente grande resistência do consumidor quando não se trata de cuidar apenas de seus próprios atos, mas de agir para mobilizar outros. Aparentemente, a cultura de isolamento, de foco exclusivo no trabalho, no estudo ou na carreira, e a desvalorização dos espaços de convivência e atuação pública dificultam uma interação pró-ativa da cidadania. A superação desses impasses é, sem dúvida, um dos maiores desafios para o movimento do consumo consciente. As respostas a várias questões relacionadas com esses comportamentos "de mobilização" revelam que:

• 29% freqüentemente incentivam pessoas que conhecem a pressionar os políticos por melhores leis, 33% não incentivam, 38% o fazem eventualmente.

• 32% freqüentemente se manifestam contra propaganda inconveniente ou imprópria, 28% não se manifestam, 40% o fazem eventualmente.

• 30% freqüentemente discutem com amigos soluções para problemas sociais e ambientais, 27% não discutem, 43% o fazem eventualmente.

• 30% freqüentemente se mobilizam para incentivar as empresas a corrigirem erros, 26% não o fazem, 44% o fazem eventualmente.

• 35% freqüentemente estimulam amigos a participar de movimentos sociais, 24% não o fazem, 41% o fazem eventualmente.

• 25% apóiam regularmente entidades ambientalistas, com trabalho ou recursos materiais, enquanto 35% não o fazem e 40% o fazem eventualmente.

Adicionalmente – com base na análise dos resultados sob os aspectos de "valores" e de "comportamentos", sob as perspectivas social, ambiental e pessoal – foi verificado que, coerentemente com o senso comum, é maior a tendência do público para concordar com as opiniões esperadas de um consumidor consciente, do que para adotar as práticas correspondentes no seu dia-a-dia. Nesse sentido, os percentuais de concordância com os "valores" investigados é praticamente o mesmo, tanto para os consumidores do tipo “conscientes” (grupo com grau mais elevado de consciência no consumo, quanto para os do tipo "comprometido" (com grau de consciência abaixo do outro grupo, mas maior que a média da população). Já em relação aos "comportamentos", o percentual de assimilação é bem maior no grupo dos “conscientes”.

Concluindo, vimos que o percentual de assimilação de valores pelas perspectivas "social", "ambiental" e "pessoal" pelos consumidores pesquisados é semelhante, sendo, respectivamente, de 70%, 68% e 65%. Já no que diz respeito aos "comportamentos", o percentual de assimilação sob a perspectiva "pessoal" é o maior (63%) seguido da perspectiva "ambiental" (56%), e vindo por último a perspectiva "social" (52%). Ou seja, é na perspectiva "social" que encontramos a maior "distância entre intenção e gesto", como se conclui vendo a assimilação de 70% para os "valores", contra 52% para os "comportamentos".


Fonte:  Instituto Akatu - Consumidores conscientes: o que pensam e como agem
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